Dialogando num blog

Mesmo que sozinho…

“Discutindo a relação” ou “Efeito bola de neve”

Posted by Jota A em abril 13, 2006

– Benhê…

– … fala Bete.

– Benhê, você me ama?

– Lógico, Bete! Mas que pergunta besta! Por quê isso agora?

– Não sei… é que tenho sentido que você está diferente comigo.

– Diferente? Não… tô do mesmo jeito. Agora deixa eu terminar de ver o jogo, deixa?

– Viu! Viu como você está me tratando! Antes era todo atencioso, e hoje nem liga mais pros meus sentimentos. Prefere ficar aí vendo jogo, e nem do Flamengo é!

– Não é isso querida… É que o vencedor de Rondonópolis e Açairama do Mato Grosso pode pegar o Flamengo nas oitavas de final, caso a gente vença o Tremembé do Acre por 3 gols de diferença. E tá quase acabando…

– Sniff… sniff… Buáááá!

– Não… não chora não… olha! Tô diminuindo! Fala meu amor, pode falar. Pára de chorar, pára…

– Sniff…

– Pronto! Diminuí. Tá no "mute". Agora fala comigo… o que foi?

– Você me ama como um cachorro, Jorge?

– Cachorro?! ??? Claro que não, meu amor…

– NÃO!?!? Mas Jorge, o amor de cachorro é o mais puro que existe! É incondicional! O cachorro ama o seu dono mesmo que ele o deixe sem comida, sozinho em casa o dia inteiro, e quando o dono volta ele está lá, esperando na porta todo alegre.

– Ah bom, não tinha entendido a pergunta… assim sim! Te amo como um cachorro!

– Mas cachorro também fica todo assanhado quando passa outras cadelinhas na frente… Você também é assim, Jorge?! É? Hein?!?

– O quê?! Mas foi você que disse que o cachorro… Não…. não, assim não. Do outro jeito só, meu amor… só do outro jeito.

– Se explique, Jorge!

– Ai meu amor, é que você tá me confundindo com essa história de cachorro…

– Ah é?! Então eu te confundo, Jorge? É por isso que você está se afastando de mim? Me acha confusa, avoada, sem objetivos?? É?

– Ahn?! Não! Que isso! Não é isso que eu quis dizer, aliás eu não falei nada disso…

– Você está dizendo que eu invento coisas, Jorge?! Que estou ficando louca?! Só me faltava essa…

– Bete, eu não disse nada disso! Eu tava quieto aqui vendo o jogo e você que começou com essa história de que eu não te amava, de cachorro, cadela avoada, loucura…

– Ah, agora a culpa é minha, Jorge?! Isso, pode jogar o fracasso do nosso relacionamento em mim…

– Ai meu Deus! Olha, Bete, eu sou o que você quiser, cachorro, cabrito, grilo ou urubu, te amo do jeito igual ao bicho que você quiser, mas por favor, vamos parar com isso!

– Doeu?

– Ahn?! Doeu o que?

– Dizer isso. Que me ama, doeu?

– …

– …

– Mas, mas, … eu disse isso?

– Pode deixar, meu amor… eu sei que você me ama.

– …

– Ihh, aumenta! Acho que aconteceu alguma coisa.

– Putz! Gol do Açairama…

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Brincadeira de mau gosto

Posted by Jota A em abril 11, 2006

– Boa tarde!

– Cruzes moça! Que mão gelada! E que roupa é essa?! Quase me matou de susto…

– Calma, ainda não…

– Como assim? Quem diabos é você?!

– Diabo não. Sou só uma "facilitadora".

– …?

– Não é possível que não esteja me reconhecendo?! A túnica preta, a mão gelada, a FOICE! Não estou acreditando…

– Acho que já vi a senhora em alguma revista…

– Penadinho talvez?

– Não acho que foi na Caras. Hum.. deixa ver… Gonçalves… acho que era… Derci! DERCI GOLÇALVES! É você!

– …

– É não é?

– Concordo que essa aí já passou da hora, mas sinto ter que frustrar sua alegria. Não sou a Derci. Sou a Morte.

– Ha! Essa é boa!

– Tá rindo de que?

– Foi o Juvenal, não foi? O pessoal do escritório?

– Juvenal?

– É, eles que armaram isso né? Cadê a câmera? Pode falar, eu já saquei. É pegadinha né!?

– Não, Eusébio. Chegou a sua hora. EU sou a MORTE. E vim te buscar.

– Ahn..?

– …

– Sério, poxa. Pode parar. Tô ficando preocupado. Nada ver, ô… Não gosto dessas coisas não. Cadê o pessoal?!

– Já te disse que não tem pessoal nenhum. Sou só eu.

– Mas… se você é mesmo a Morte, então prova! Isso, prova!

– Claro, como queira: vou te matar agora…

– Eu não! Aí é fácil. Pra eu acreditar tenho que ver outro!

– Como era bom o tempo em que as palavras das pessoas bastavam como prova. Hoje você tem que mostrar tudo, provar por A+B, ter gravado em vídeo e registrado em cartório com firma reconhecida!

– …

– Tá bom. Tá vendo aquele passarinho ali?

– Sim.

– Olha lá agora… [Saca um estilingue de dentro da túnica, faz a mira e…]

KAPUFT!

– Morreu?!

– Sim.

– Mas de estilingue até eu.

– Não tinha pensado em usar estilingue com você, mas se você quer…

– Não, disse que pra matar um passarinho com um estilingue não precisa ser a Morte. Até eu mesmo faço.

– E por que não fez?

– Pra quê?

– Ué, não foi você quem pediu?

– …

– Bom, vamos acabar com isso pois eu tenho mais o que fazer.

– Ué, mas é você que faz tudo sozinha? Um por um?

– Na maioria das vezes sim, mas quando é guerra ou terremoto, com um monte de gente morrendo ao mesmo tempo eu contrato estagiários.

– …

– Bom, senta aí e assiste o filme.

[uma TV e video-cassete aparecem na frente de Eusébio] 

– Filme? Que filme?

– Mas você não conhece nada de morte mesmo, né? Não tem quando uma pessoa morre ou "escapa" por pouco da morte (essa possibilidade não existe pra você), diz-se que passou um filme de toda a vida dela diante de seus próprio olhos? Pois bem, tá aí o filme. Tá em VHS porquê a gente tá em contenção de custos devido à gripe aviária. Você sabe, muitas viagens, né?

– …

– …

– E por que eu? E por que hoje? E a Maria, o que vai ser da minha esposa?

– Bom, vamos lá… 1º: Deus tá em falta de corpos e precisa de alguns urgente pra colocar as almas do chinesinhos e indianos que estão nascendo mais depressa do que Ele pensava; 2º: Hoje porquê é o dia em que você é assassinado; e 3º: assiste o filme…

– Assassinado?!

– Assiste…

[vendo o filme]

– … a Maria tá dando uma festa lá em casa. Olha, o pessoal do escritório tá todo tá. Laurinha, o Marques… Rapaz, até o Jota! Bobó… farofa… tá chique!

– …

– Ué, que que é aquilo! Que o Juvenal tá fazendo mexendo na minha cerveja?!

– …

– Não bebe, Eusébio! Não bebe seu burro! Tá envenen…ada…

– …

– Sniff…

– Viu?

– Poxa, sacanagem. Brincadeira de mau gosto… KAPUFT!

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À noite

Posted by Jota A em abril 8, 2006

– Fumou?
– …?
– É… fumou? Tá com os olhos vermelhos!
– Ahn… é sono.
– E sono deixa os olhos vermelhos? Pra mim isso era só baseado que fazia!
– ?!?!?!
– Deixa pra lá… melhor você se cuidar.

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